Caderno de Viagem · Coreia do Sul

Seul: nove dias para
viver o próprio dorama

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Fui para a Coreia do Sul como um presente de aniversário para mim mesma. Cheguei sem roteiro fechado, decidida a deixar a cidade me levar em vez de forçar um plano, e boa parte da viagem explorei sozinha, mesmo estando acompanhada. Preciso dizer que a cidade é super segura para mulheres viajantes solos.

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Antes de decolar: K-ETA, fuso de 12 horas e eSIM imediato

Chegando e se locomovendo

Para sair do aeroporto rumo ao centro, o metrô opera com pontualidade impecável. Quem viaja com volume excessivo de bagagem deve dar preferência aos ônibus executivos, até por uma questão de etiqueta local, já que malas grandes atrapalham a circulação em vagões cheios nos horários de pico.

O Uber funciona muito bem pela cidade, mas com uma dinâmica própria: ele não chama motoristas particulares, ele aciona a frota oficial de táxis de Seul. O valor cai direto no cartão internacional cadastrado no aplicativo, mas em dias de chuva ou horários de muito movimento a espera pode ser demorada, por isso vale manter o aplicativo local KakaoT instalado como plano de contingência. Algo muito importante: confira o local de embarque no carro antes de confirmar a corrida, pois todo aeroporto tem regras específicas para carros de aplicativos.

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A lição de hospedagem e a etiqueta urbana

Cultura e vida de rua

Myeongdong acabou virando minha região preferida para caminhar sem rumo. O Gwangjang Market é parada obrigatória para encontrar comida de rua autêntica, caldeirões borbulhantes e bancas disputadas onde as filas realmente compensam a espera. O palácio Changdeokgung também merece a visita. Como eu vinha de uma viagem recente pela China e tinha na bagagem a imponência brutal da Cidade Proibida, achei a construção coreana menor em comparação, mas a arquitetura local revela uma delicadeza serena, alegre e muito particular. À noite, a ponte Gwangtonggyo sobre o riacho Cheonggyecheon é um ponto agradável para sentar perto da água, ouvir música de rua e descansar a mente quando o frio dá trégua, parecendo exatamente uma cena de dorama.

Lízia no Gwangjang Market
Gwangjang Market: caldeirões e a energia das ruelas
Ponte Gwangtonggyo à noite
Gwangtonggyo à noite: cena de dorama na beira d'água
Lízia com espetinho de tteok-kochi
Tteok-kochi na calçada: doce, picante e sem pressa

O maior choque cultural da rotina foi a intensidade da vida noturna em plena semana. Restaurantes e bares ficam lotados em dias comuns de trabalho, com os moradores comendo e bebendo fora com uma frequência surpreendente.

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A manha da Olive Young e a regra de ouro do Tax Free

Comida: a verdade dos balcões e o afeto da mesa

A gastronomia da cidade pede que você esqueça as listas prontas e deixe o olfato decidir onde sentar. O orgulho com que os coreanos cuidam da própria comida é perceptível em qualquer esquina, um respeito pelo alimento que eu já admirava pela convivência com amigos coreanos na Austrália e que se confirma ao vivo. Longe do circuito turístico, quase não se veem hipermercados impessoais: a vida real ainda se apoia nos pequenos verdureiros de rua com verduras frescas e nas peixarias de bairro com frutos do mar vivos nas calçadas.

Minha lista espontânea de desejos incluía bibimbap em tigela quente, o clássico yukhoe (o tartar coreano com gema e sementes de gergelim) acompanhado de makgeolli gelado, tteokbokki com queijo, frango frito crocante e o kimbap, que muitos chamam apressadamente de sushi coreano, mas que tem personalidade própria com o perfume do óleo de gergelim tostado no arroz em vez do vinagre japonês.

As melhores refeições aconteceram por puro improviso. O sotbap, prato que eu só conhecia de dorama sem entender os detalhes do preparo, provei no Damsot Ikseon ao reconhecer a fachada e entrar sem pensar. A panela quente entrega arroz, legumes e carne fatiada, criando uma casquinha dourada no fundo que depois vira uma canja perfumada ao receber água fervente. Em outra noite de outono, caminhando pelas calçadas tranquilas e seguras de Namdaemun, avistei de longe as colunas espessas de vapor branco subindo das panelas do Gamekol Son Wangmandu e comprei na hora meus pães recheados com porco e kimchi bem temperado, servidos quentes na mão. E nas ruelas charmosas de Ikseon-dong, o perfume de manteiga assada me guiou até o Jayeondo Salt Bread, onde o pão de sal quentinho entrega uma casquinha crocante com flor de sal e um miolo alveolado que derrete na boca.

Sotbap de carne no Damsot Ikseon
Damsot Ikseon: o sotbap fumegante e a casquinha do fundo
Gamekol Son Wangmandu em Namdaemun
Gamekol em Namdaemun: colunas de vapor e mandus quentes
Miolo dourado do Jayeondo Salt Bread
Jayeondo Salt Bread: o miolo amanteigado que derrete

O clássico churrasco de porco na brasa com soju aconteceu no Wonjo Sogeumgui, onde a comida deliciosa dividiu espaço com a memória mais marcante da viagem: ao descobrir que meu cartão não passava na máquina antiga, um desconhecido na mesa ao lado simplesmente pagou minha conta com generosidade e um sorriso.

Lízia com mesa de banchan
A mesa farta de banchan: a alma da cozinha coreana
Yukhoe com gema de ovo e Makgeolli
Yukhoe com gema e makgeolli gelado na cumbuca
Wonjo Sogeumgui churrasco de porco na brasa
Wonjo Sogeumgui: brasa acesa e a noite inesquecível

Comer bem em Seul não exige roteiros engessados, porque é muito difícil ter uma experiência ruim por lá. O segredo é ter coragem para encarar os caldos picantes e as notas ácidas da fermentação, e dedicar atenção especial aos banchan, aquelas pequenas porções de conservas e acompanhamentos servidas na mesa que revelam a verdadeira alma da cozinha coreana.

"Seul é uma cidade para ser vivida no próprio ritmo, aberta às surpresas e pronta para você encontrar o seu próprio dorama."

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