A Tailândia não é um país para se visitar com pressa ou seguindo checklist de rede social. É calor úmido, fumaça de escapamento misturada com alho frito na calçada e uma simplicidade desconcertante de quem faz a mesma coisa com perfeição há gerações.
Minha história por aqui se divide em dois momentos muito claros. Em 2020, cheguei no modo mochileira clássica: foi quando explorei a fundo os grandes templos sagrados, cruzei o mar do sul e encarei as ilhas. Já em 2025, meu retorno teve outro foco: voltei com olhar de cozinheira, guiada pela fumaça da brasa, pelos mercados de rua, pelas técnicas lentas do norte e pela cena surpreendente de cafés especiais.
Chegando, logística e quanto tempo ficar
Um dos maiores erros de quem planeja a primeira viagem para a Tailândia é tentar enfiar o país inteiro em 15 dias: quer fazer as praias do sul, a loucura de Bangkok, subir para Chiang Mai e ainda encarar quatro horas de van só para tirar uma foto no Templo Branco em Chiang Rai. Isso é loucura de quem só quer ticar ponto turístico. Você passa metade das férias fazendo check-in em aeroporto e o resto do tempo exausto dentro de vans.
Seja muito honesto com o seu objetivo. Se a sua prioridade é experienciar o mar, Bangkok e as praias do sul (como Phi Phi e a região de Krabi) são mais do que suficientes.
A conta da logística: Para quem sai do Brasil encarando mais de 24 horas de voo e 10 horas de fuso horário, o mínimo absoluto para essa viagem fazer sentido são 20 dias. Menos que isso, a conta do cansaço não fecha. Além disso, entenda a malha aérea: para sair de Bangkok rumo ao litoral não existe atalho. É obrigatório pegar um voo interno da capital para cidades-base do sul (como Krabi ou Phuket) e de lá articular o deslocamento terrestre de van até o píer para só então pegar a balsa ou o speedboat até Phi Phi. Coloque esse tempo de trânsito na ponta do lápis antes de inventar mais um destino no mapa.
Para brasileiros, o país oferece isenção de visto para estadias de turismo de até 90 dias, bastando apresentar o passaporte com validade mínima de 6 meses. O preenchimento do cartão digital de chegada (TDAC) deve ser feito online antes do embarque, e o certificado internacional de vacina contra febre amarela é exigido obrigatoriamente ainda na triagem de saúde do aeroporto, antes dos guichês de imigração.
Para voos de longa distância e trajetos internos entre Bangkok e as cidades do sul ou norte, você pode pesquisar e garantir as melhores conexões pelo Trip.com Voos.
Para não depender de chips físicos nem enfrentar filas no saguão, configure um eSIM da Airalo antes do embarque. Em Bangkok, use o trem de superfície (BTS Skytrain) e o metrô (MRT) para fugir do trânsito nos horários de pico; para trajetos pontuais ou corridas em Chiang Mai, os aplicativos Grab e Bolt funcionam perfeitamente com valores fechados.
Imigração, Febre Amarela & Visto (Brasil na Tailândia)
Pequenos detalhes práticos que garantem uma chegada tranquila e sem contratempos:
- Visto de Turismo: Brasileiros não precisam de visto prévio para viagens de turismo de até 90 dias. Mantenha o passaporte válido por pelo menos 6 meses.
- Formulário TDAC: Preencha o cartão de chegada digital oficial até 3 dias antes do seu embarque internacional.
- Febre Amarela (Atenção): Quem viaja com passaporte brasileiro precisa se dirigir ao guichê de Health Control (Vigilância Sanitária) na área de desembarque antes da fila de imigração para carimbar o CIVP. Essa regra vale mesmo se você estiver chegando a partir de outro país da Ásia.
- Dinheiro & Conexão: Muitas bancas de rua e mercados locais aceitam apenas dinheiro vivo (Baht tailandês). Tenha sempre notas menores em mãos e garanta sua internet com o eSIM da Airalo.
Onde ficar
Em Bangkok, hospedar-se perto de estações do BTS (como nas regiões de Sukhumvit e Riverside) ou nos arredores históricos de Chinatown (Yaowarat) facilita explorar as feiras de rua a pé ao entardecer. Em Chiang Mai, ficar dentro da Cidade Antiga (Old City) ou no bairro criativo de Nimman permite fazer quase tudo caminhando ou de bicicleta entre cafés e mercados. Escolha suas hospedagens na Tailândia pelo Trip.com dando preferência a lugares com boa ventilação, ar-condicionado e piscina para os dias mais quentes.
O Sul, Phi Phi e a memória de Maya Bay
Em 2020, vivi no sul da Tailândia uma das maiores aventuras da minha vida. Nosso barco não pôde se aproximar da faixa de areia de Maya Bay por conta das restrições de preservação da baía. O capitão parou a embarcação no meio do mar aberto e a única maneira de alcançar a praia foi pular na água e nadar por mais de trinta minutos em alto-mar. O cansaço desapareceu no segundo em que pisei na areia fina, cercada por paredões de pedra calcária que parecem erguer-se direto do fundo do oceano.
Hoje, Maya Bay conta com um controle ecológico ainda mais rígido para preservar os corais e os tubarões locais: o acesso de barcos é feito exclusivamente por um píer suspenso em Loh Samah Bay, do outro lado da ilha, com caminhada por passarela de madeira, sendo proibido nadar na baía principal. Entre dezembro e janeiro, quem navega pelo Mar de Andaman também precisa prestar atenção à presença pontual de águas-vivas nas praias, respeitando sempre os avisos dos barqueiros locais.
Phi Phi, Maya Bay & O Mar de Andaman
Cuidados e diretrizes para quem vai navegar pelas ilhas do sul:
- Regras Atuais de Maya Bay: Os barcos atracam em Loh Samah Bay e a chegada à praia se dá por passarela suspensa. Não é permitido nadar na enseada (apenas molhar os pés até a canela) para não danificar o ecossistema marinho.
- Pausa Ecológica Anual: O parque nacional costuma fechar Maya Bay para visitação entre agosto e setembro para recuperação ambiental. Vale conferir as datas caso sua viagem coincida com esse período.
- Atenção às Águas-vivas: No auge da temporada de verão (dezembro e janeiro), correntes marítimas podem trazer águas-vivas para trechos de Krabi e Phi Phi. Consulte seu barqueiro antes de mergulhar em enseadas abertas.
Bangkok: mestres da rua, templos e consistência
A capital tailandesa impressiona pelo contraste entre o sagrado e a vida urbana em ritmo acelerado. Caminhar pelos templos monumentais traz uma sensação profunda de serenidade: a imponência serena do Buda Deitado de quarenta e seis metros no Wat Pho, os mosaicos de porcelana do Wat Arun refletindo a luz dourada do fim de tarde sobre o rio Chao Phraya e a imensa presença do Buda Dourado no Wat Paknam, que parece abraçar a cidade de cima.
Quando o calor do dia cede, as calçadas de Bangkok se transformam no maior restaurante ao ar livre do mundo. O clássico Thipsamai Padthai Pratoopee mantém sua reputação intocada: o macarrão salteado na wok vem protegido por uma película finíssima de omelete dourada, acompanhado de camarões graúdos e o equilíbrio perfeito entre o tamarindo artesanal e o açúcar de palma.
Em Chinatown (Yaowarat), o cheiro de brasa guia os passos até bancas como o The Siam Grilled Pork, onde os espetinhos de Moo Ping caramelizam na grelha com leite de coco e alho fresco. Para fechar a noite, as sobremesas delicadas com banana tostada e tofu sedoso no Ba Hao Tian Mi confortam qualquer caminhada.
Chiang Mai: a sabedoria ancestral do fogo
No norte do país, a culinária ganha tons terrosos, ervas frescas e processos de cozimento lentos. O ponto mais marcante da viagem gastronômica aconteceu no Neng Roasted Pork: peças inteiras de barriga de porco assam penduradas no calor concentrado de grandes jarras de cerâmica, com brasas de carvão no fundo. O resultado é uma casquinha que estala com leveza enquanto o interior permanece úmido e macio, servido ao lado de uma salada fresca de milho e pimenta.
Logo ao lado, a experiência com os sabores birmaneses no Cherry Burmese ampliou o repertório: a salada de folhas de chá fermentadas (Laphet Thoke) une texturas crocantes de sementes a notas cítricas e profundas em uma harmonia vegetal surpreendente.
Chiang Mai: cafés especiais, montanha e templos Lanna
Além da comida de rua tradicional, Chiang Mai construiu uma das cenas de cafés especiais mais charmosas do sudeste asiático. Beneficiada pela proximidade com as plantações das montanhas do norte, a cidade reúne pequenas cafeterias com torrefação própria, extrações cuidadosas e uma arquitetura despretensiosa que convida a sentar e desacelerar.
Essa mesma calma reverente se estende aos seus templos de estilo Lanna: o Wat Lok Moli, com sua estrutura esculpida em madeira escura protegida por esculturas de elefantes sagrados, e o imponente Wat Phra That Doi Suthep, reluzindo em ouro no topo da colina e abençoando todo o vale.
O Ritmo Tailandês: Da Wok Fervente aos Templos Silenciosos
Pequenos gestos de convivência e respeito que transformam a experiência:
- Respeito nos Templos: Mantenha ombros e joelhos cobertos ao visitar qualquer recinto religioso. Retire os sapatos na entrada e evite apontar a sola dos pés em direção às estátuas de Buda ou aos monges.
- Equilíbrio da Pimenta: A culinária local tem intensidade marcante. Se você tem paladar sensível à picância, peça "mai phet" (sem pimenta) ou "phet nit noi" (pouca pimenta) ao pedir nas barracas.
- Água e Gelo: Beba água mineral engarrafada. Nas cidades grandes e bancas estruturadas, o gelo cilíndrico com furo no meio é industrializado e confiável para refrescar os sucos e chás gelados.
Food Like a Hug